Ativos externos de Angola recuam mais de 13% em 2020

Os ativos externos de Angola recuaram 13,55% em 2020, fixando-se em USD 14.879 milhões (€ 12.608 milhões), penalizados por fatores de contração das reservas internacionais, como a dívida e despesas em moeda estrangeira. Os dados constam do 1º Relatório Anual dos Ativos Externos (recursos em moeda estrangeira coma finalidade de prevenir os impactos de situações adversas sobre a balança de pagamentos e contribuir para a estabilidade da moeda nacional), publicado pelo Banco Nacional de Angola e disponível na sua página na internet (www.bna.ao) desde 7 de julho. Na base da quebra verificada nos ativos, encontra-se o saldo negativo de USD 3.963 milhões (€ 3.357 milhões) entre o volume dos fatores de expansão e o volume dos fatores de contração das reservas internacionais: os primeiros são compostos, sobretudo, pelas receitas do petróleo e diamantes, recursos da conta de garantia (escrow account) e financiamentos, tendo somado USD 6.909 milhões (€ 5.854 milhões); já os fatores de contração, no valor de USD 10.872 milhões (€ 9.213 milhões), estão associados, essencialmente, aos desembolsos relativos ao serviço da dívida e despesas da CUT-ME (movimentos em moeda estrangeira da Conta Única do Tesouro). O Relatório continua afirmando que, em 2020, “procedeu-se à manutenção dos níveis de liquidez dos ativos externos, com a realização de investimentos em instrumentos financeiros mais seguros”, apontando a elevada volatilidade dos mercados financeiros internacionais devido aos impactos da pandemia de COVID-19, que originou a descida generalizada das taxas de juro de referência dos principais bancos centrais. O relatório sublinha, ainda, que a economia mundial deverá manter a tendência de contração na 1a metade de 2021 devido a riscos diversos, como por exemplo o aumento do número de infeções e o aparecimento de novas estirpes e o impacto negativo sobre as atividades económicas. Segundo o BNA, estes riscos reforçam “as preocupações sobre a possibilidade da reabertura total da atividade económica um pouco por todo o mundo, com impacto direto no aumento dos défices fiscais para contenção do aumento do desemprego”. As reservas internacionais líquidas de Angola (reservas em moeda estrangeira) fixaram-se em USD 8.767 milhões (€ 7.430 milhões) em 2020, suficientes para cobrir 11,81 meses de importações de bens e serviços, acima do limite mínimo estabelecido no Programa de Financiamento Ampliado celebrado com o FMI.

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